Lú Sant'Anna - Gravuras
24 de junho de 2009 a janeiro de 2010






Lú Sant'Anna - Gravuras
As obras desta exposição têm como fio condutor a necessidade de Lu Sant’Anna estar sempre gravando e se surpreendendo com os resultados obtidos na gravura a cada prova de estado, num processo disciplinar até o resultado da cópia definitiva. Aqui, especificamente, temos uma demonstração da variedade de expressões que a linguagem da gravura possibilita. Os trabalhos vão do mínimo espaço construído com rigor ao grande formato, onde o mesmo rigor pode ser apreciado. As grandes xilogravuras são o espaço em que a artista trabalha a repetição de uma mesma forma, girando-a em todas as direções, conseguindo com este recurso dinamiza-las estruturalmente, ao mesmo tempo em que o espaço recebe linhas divisórias horizontais, como a ensaiar na descontinuidade um intuito narrativo: são três momentos de uma mesma “história”, dados simultaneamente? Uma história da forma em movimento que obriga o olhar do espectador a um exercício visual desassossegado. Percorre-se o espaço de lado a lado, de alto a baixo, ou ao contrário, e ainda se é surpreendido por um elemento colorido que, certamente confere à imagem um interessante contraste entre as formas idênticas.
As gravuras em metal favorecem o jogo dos pequenos formatos que investem na delicadeza dos traços e imagens, na sobreposição rara do prazer dado às coisas menores. Por outro lado, nos pequenos linóleos e xilogravuras não há limites para os temas e cores. Lu Sant’Anna tira o melhor partido da matéria escolhida, decidindo sobre prioridades que tornam as gravuras mais ou menos fiéis às formas referenciais em contraste.
Por todos estes elementos, o trabalho de gravadora de Lu Sant’Anna pode ser visto como um ato deliberado de opção pelo prazer de agradar aos olhos, como iluminuras a ilustrar a história de nosso envolvimento e fruição da obra de arte.
Maria Adélia Menegazzo
ABCA/UFMS - março 2005
voltar