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Entre diálogos contemporâneos

Em 2005, quando foi realizada a primeira mostra Diálogos Contemporâneos, o MARCO apostava num formato de projeto que contemplasse, através de mostras coletivas, a produção artística emergente e também aquela oriunda dos acadêmicos do curso de graduação em Artes Visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, selecionados pelas propostas inscritas no programa de exposições temporárias do museu.

A edição 2007 desse projeto traz a produção de jovens artistas que apresentam investigações no campo da tecnologia, instalação e escultura. Aline Ranelli, Carol Berno e Larissa Anzoategui utilizam a digitalização e manipulação de imagens tendo o universo feminino como matéria de suas incursões estéticas. Lucas Herculano e Patrícia Horvath exploram a linguagem escultórica na concepção de seus trabalhos em cerâmica e ferro. A áudio-instalação de Evandro Prado exemplifica a arte engajada de caráter político que traz para discussão alguns valores evidentes do mundo globalizado.

A gestualidade expressiva nos desenhos de Edson Castro evidencia um rico jogo de tonalidades onde o contraste entre claro e escuro, espaço positivo e negativo, cria uma atmosfera plena de energia capaz de prender a atenção do observador para a descoberta de possíveis signos velados nas abstrações. Nos trabalhos apresentados nessa individual o artista explora os limites da linguagem com uma competente gama de grafismos que salientam o contínuo embate de cores e formas.

Na série de gravuras de André de Miranda, mostra individual que completa o conjunto da última temporada de exposições no MARCO este ano, elementos da paisagem urbana são destacados para dar tom de denúncia contra o apagamento da memória arquitetônica ocorrente nas grandes cidades. As imagens gravadas numa matriz de madeira (xilogravura) são impressas em folhas de jornal que contém anúncios imobiliários nos cadernos de classificados. Também aqui o objeto artístico dá voz ao artista que quer através da sua obra questionar a realidade social em que está inserido.

Dessa maneira, o museu mantém um mecanismo para o diálogo e para a convivência da diversidade criativa, oferecendo encontros com a pluralidade do olhar e do pensamento contemporâneo local e de outras regiões brasileiras, abrindo-se para interpretações e confrontos de idéias e interesses.


Rafael Maldonado
Novembro de 2007

 

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