
Pequenos Oratórios de “Coisas
desúteis”
Restos raros – as
caixas de Miska
Percorrer a exposição
das caixas de Miska significa indagar sobre o tempo
e as lembranças,
refazer percursos e definir imagens que se perdem na
memória. São restos do tempo, de um tempo
de afetividades.
O procedimento básico é o
da constituição
de arquivos, prática cotidiana da artista, para
quem a obsessão pelo diminuto e o rigor da classificação
parecem ser os meios que lhe permitem apreender momentos
importantes da sua caminhada.
A opção
pelo tridimensional não
assusta a artista em seus 30 anos de carreira dedicados à pintura
e ao desenho. Até meados dos anos 1990, Miska
trabalhou insistentemente a temática dos povos
indígenas, a beleza de seus corpos e elementos
de sua cultura, utilizando como técnicas o pastel
seco sobre papel e acrílica sobre tela. A partir
daí, começa a série de trabalhos
com mandalas. É possível estabelecer
uma relação seqüencial entre as
mandalas e as caixas atuais. A repetição
dos elementos desenhados nas mandalas passa, a partir
de um determinado momento, a exigir a colagem, numa
tentativa básica dessa técnica: a materialização
da forma no espaço pictórico.
Das mandalas às
caixas, Miska vai aprimorando a seleção
dos objetos, suas relações
internas e disposição, ordenando seqüências
de acordo com a narrativa que aí permanece em
estrutura. Cada espaço das vitrines de
Miska é um ir contra a corrente do dia-a-dia
na recolha das pequenas coisas, do descarte do desimportante,
e, principalmente, do guardar à toa que de tanto
se repetir cria um sistema de arquivamento. Daí a
utilização de caixas de tipógrafo,
cuja organização permite as composições
mais variadas. Vitrines diminutas de brinquedos, de
perfumes que despertam a memória involuntariamente,
de sapatos de meninas e bonecas, de brinquedos, de
espelhos femininos, de afetos pressentidos, vividos
e desaparecidos.
Nesse espaço de lembranças,
esses Pequenos
oratórios de coisas desúteis tiradas
do abandono, em franco diálogo com a
poesia de Manoel de Barros, abrem para o observador
novas relações com as coisas e sua
importância
no acúmulo do cotidiano. Aqui, a palavra pode
pouco, mas as pequenas coisas encontram seu espaço
em cada um de nós, confirmando que o presente é verdadeiramente
o tempo da memória e a lembrança sua
eterna soberana.
Maria Adélia
Menegazzo
UFMS/ABCA-MS
Curriculo
MISKA (Campo Grande,
MS)
Artista Pl ástica, Cantora e atua nas áreas
de Produção Cultural, Rádio
e Televisão.
Formada em Comunicação Visual
pela PUC / RJ.
Trabalhou com publicidade e programação
visual ( no RJ e CG ) e durante 10 anos na
Fundação de Cultura de MS , nas áreas
de teatro, artes plásticas, programação
visual, Coordenadora de Promoção
e Difusão Cultural, Administradora do Centro
Cultural José Octávio Guizzo, Coordenadora
interina do MARCO ( Museu de Arte Contemporânea
), Coordenadora das Oficinas de Arte do Ateliê Livre
do MARCO e do Centro Cultural. Foi idealizadora destas
oficinas, juntamente com o artista plástico
Júlio César Alvarez, e ministrou aulas
de atelier livre e tecelagem manual.
Ministrou cursos, workshops e palestras sobre
artes visuais, música, cultura, comunicação
visual e arte educação para alunos
de todas as idades, professores, coordenadores,
diretores de escolas e arte edu- cadores em
vários município de MS , em escolas
públicas estaduais, municipais, particulares
e universidades do nosso estado e alunos de escolas
de São Paulo que vêm visitar o Pantanal.
Escreveu durante 4 anos a coluna de Artes
Visuais “Grafitando” no semanário “Jornal
da Cidade”, em Campo Grande, MS.
Como artista plástica já experimentou
várias técnicas como gravura em metal,
xilogravura, papel artesanal, papel machê e
atualmente dedica-se mais à pintura, desenho
e colagem, fazendo reciclagem de materiais.
Participa de exposições desde
1974, com mais de 200 participações
em coletivas e mais de 25 exposições
individuais, no Brasil e no exterior: Rússia,
Suécia, Paraguai, Bolívia.
Possui duas obras no acervo do MARCO ( Museu
de Arte Contemporânea de MS), 3 na Biblioteca
da UNIDERP e em acervos particulares no Brasil (Rio
de Janeiro, São Paulo, Pernambuco,
Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Brasília
) e no exterior : México, Estados Unidos,
Rússia, Suécia, Alemanha, Itália,
Bolívia e Paraguai.








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