Museu
de Arte Contemporânea abre 2ª temporada
de exposições
Campo Grande (MS) – Nesta quinta-feira (3/7), às
19h30, o Museu de Arte Contemporânea abre sua 2ª temporada
de exposições de 2008 com três mostras: "Tanê",
de Mauro Yanase, "Impressões Visuais: 50 anos
da Comissão Fulbrigth no Brasil" e "Coletiva
100 Anos da Imigração Japonesa", com
os artistas Áurea Katsuren, Fujita, Mauro Yanase,
Neide Ono, Renato Arakaki, Roberto Higa, Rose Kanamura
e Sayo. Na abertura haverá apresentações
culturais típicas japonesas, de música e
dança: Taikô, Shamissen, Zei e Utsikumi Kanayo,
da Associação Okinawa de Campo Grande.
A Coletiva dos 100 anos da Imigração Japonesa
reúne pela primeira vez os artistas sul-mato-grossenses
que têm em comum a origem dos primeiros imigrantes. "A
coletiva põe em evidência questões
prementes para a arte contemporânea relacionada à nossa
presença no mundo, no espaço, e à nossa
origem e permanência, no tempo. Ela mostra que a
tradição nunca permanece intocável
e que é possível dialogar com ela",
comenta Maria Adélia Menegazzo, professora da Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul e membro da Associação
Brasileira de Críticos de Arte. "A prática
de uma exposição coletiva, muito mais do
que buscar uma identidade, expõe a diferença
entre os artistas que dela participam. Se a origem nos
primeiros imigrantes japoneses é o que une a todos,
a percepção de que o lugar da arte nos torna
a todos diferentes está posta", completa.

Em sua nova série de esculturas, Mauro Yanaze elabora
as formas a partir do tema "Tanê", palavra
japonesa que significa "semente". "Nitidamente
percebemos a predominância da estrutura circular
no conjunto que se repete com sutis variações
nos detalhes e nos volumes. Na repetição
dos elementos, Yanaze propõe arranjos de grupos
de peças quase-idênticas para estabelecer
novas relações de sentido com o espaço
transformando o projeto em instalação. Atualiza
assim a tradição milenar da cerâmica
aos conceitos e dimensões da contemporaneidade",
explica Rafael Maldonado, um dos curadores desta exposição.
Já a mostra "Impressões Visuais: 50
anos da Comissão Fulbright no Brasil" traz
126 imagens da fotografia brasileira e norte-americana
que mostram fatos e pessoas que marcaram os últimos
50 anos de história do Brasil e dos EUA. Sua escolha
resulta de uma pesquisa de quase dois anos em vários
arquivos brasileiros e norte-americanos, e pretendem revelar,
imageticamente, algumas diferenças e semelhanças
entre as duas nações do continente americano. "As
imagens se destacam por aspectos histórico, documental
e estético, e muitas delas foram premiadas com o
Pulitzer e o Esso de jornalismo. Muitas se tornaram ícones
do fotojornalismo, tendo conseguido captar momentos históricos
com força e intensidade, se inscrevendo num processo
mais amplo da memória visual coletiva", comenta
o curador da mostra João Kulcsár.

A mostra itinerante é do Fullbright, programa de
intercâmbio educacional e cultural do governo dos
EUA criado em 1946. No Brasil, o programa é administrado
desde 1957 pela Comissão Fulbright e que hoje celebra
seus 50 anos atuando na área acadêmica em
parceria com diversas instituições nacionais,
para promover o intercâmbio educacional e cultural.
São parceiros da exposição a embaixada
americana e o Iphan.
A mostra está dividida em seis capítulos: "Herança",
que contém imagens representativas das culturas
africanas, européia e indígena; "Política",
com fatos e personalidades influentes no meio político; "Cultura",
através do qual é possível se ver
manifestações populares e algumas das personalidades
do mundo artístico; "Cidadania", que busca
expressar as lutas e conquistas da população
quanto aos direitos do cidadão; "Esportes",
no qual está a emoção, a força
e a paixão dos esportes populares; e, por último, "Meio
ambiente", que apresenta visões dos parques
nacionais e conduz a reflexões sobre o que
temos feito com o nosso habitat.
Apresentações culturais japonesas
O
Shamissen é um instrumento de cordas semelhante
ao banjo, enquanto o Taikô é o conjunto
de três instrumentos musicais de percussão,
executados principalmente por jovens, com toques e coreografias
próprias e ao ritmo de coros vocais e músicas
clássicas e populares modernas Okinawa-Ken.
Entre as apresentações de dança,
Zei re-encena a história dos jovens que no retorno
da guerra foram até o Palácio Imperial
cumprimentar o Imperador e foram elogiados pela bravura
e coragem. Já Utisikumi Kanayo traz uma coreografia
que busca traduzir o romance e colóquio amoroso
entre casais apaixonados, através de trocas de
carinhos e outros gestos de manifestação
de afeto. Jorge Joji Tamashiro, presidente da Associação
Okinawa de Campo Grande, comenta: "As danças
clássicas e folclóricas da Província
de Okinawa (Japão), que são praticadas
por jovens e senhoras da terceira idade, foram trazidas
ao Brasil pelos imigrantes egressos daquela Província
no início do século passado, cujas orientações
e práticas foram repassadas de gerações
a gerações e, geralmente, traduzem, através
de passos, alegorias harmoniosas e outros múltiplos
adereços, as lendas milenares das lutas dos samurais,
dos maridos que deixavam a esposa e família na
busca de trabalhos em rincões longínquos,
também reproduzem cenas de lutas e guerras, e,
acima de tudo, traduzem o carinho e o amor".

Serviço
Unidade da Fundação de Cultura de Mato
Grosso do Sul, o Museu de Arte Contemporânea está localizado
na Rua Antônio Maria Coelho, 6000 – Parque
das Nações Indígenas, com atendimento
ao público de terça a sexta, das 12 horas às
18 horas, e aos sábados e domingos, das 14h às
18h. Telefone: 3326-7449.
Moema Vilela
Assessoria de Comunicação da Fundação
de Cultura de MS
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