Marco
exibe e promove debate sobre o cineasta japonês
Shuji Terayama
Campo
Grande (MS) - O Museu de Arte Contemporânea de
Mato Grosso do Sul (Marco) realiza no próximo
fim de semana (26 e 27), às 15 horas, o Projeto "Ver
no Museu" com exibição e debate com
filmes do cineasta japonês Shuji Terayama. A entrada
franca.

O Projeto Ver no Museu consiste na exibição
de vídeos seguida de debate mediado por especialistas
e formadores de opinião e tem como objetivo formar
público crítico apreciador de cinema e
debater questões estéticas, históricas
e conceituais relacionadas aos filmes e vídeos
exibidos.
Esta Edição especial faz parte da programação
do Marco em comemoração aos 100 anos de
Imigração Japonesa. A seleção
dos filmes foi feita pelo produtor audiovisual Jean Albernaz
que vai mediar debate nos dois dias de exibição.
Albernaz é produtor audiovisual, formado em Rádio
e TV pela UCDB e especialista em Imagem e Som pela UFMS.
Foi apresentador da FM Regional do programa Microfonia,
escreveu e dirigiu o curta de ficção "Estanque" e
ministrou aulas de produção audiovisual
para alunos do ensino fundamental e segundo grau.
Shuji Terayama
Por Jean Albernaz
Shuji Terayama não é um nome desconhecido
dentro do Japão, escreveu de peças de teatro a
poesias, foi premiado por novelas de rádio
e longa-metragens, publicou mais de 200 trabalhos literários
e realizou cerca de 20 filmes. Em um legado extenso e
diversificado, A quebra de regras e convenções
feitas pelo autor é um contraste familiar, já que
seu pai foi um dos agentes da censura japonesa antes
de morrer na II Guerra Mundial.
A ruptura da estrutura familiar foi essencial na formação
de Shuji: a mãe o deixou com familiares para trabalhar
em uma base militar americana no Japão pós-guerra
e ele dormia atrás de uma tela de cinema, de forma
quase poética, assistindo noite após noite
imagens invertidas.
Devido a uma doença, abandonou a Universidade
e passou a se dedicar integralmente a leitura e a boêmia,
trabalhando em bares de Shinjuku. A negação
do mundo acadêmico é assunto de muitos
de seus textos, onde ele afirma que se aprende mais sobre
a vida em bares, lutas de boxe e corridas de cavalo do
que estudando. Talvez a epítome desse pensamento
seja a seu livro/peça transformado
em filme "Jogue seus livros e vagabundeie pelas
ruas" (Sho o suteyo machi e deyou – 1971).
Seus trabalhos em cinema passeiam por um mundo onde todas
as estruturas sociais são questionadas e desafiadas
com a raiva e agressividade adolescente mas com uma sensibilidade
e riqueza de símbolos impressionante.
Terayama morreu precocemente em 1984. Nunca ganhou um
grande prêmio internacional (foi apenas indicado
a dois Cannes e ganhou um festival menor catalão)
mas no Japão o impacto da sua poesia anarco-surreal
não tem como ser esquecida.
Mais informações no Marco, unidade da
Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul
(FCMS), localizada na Rua Antônio Maria Coelho,
6000 - Parque das Nações Indígenas.
Telefone (67) 3326-7449. ou no site do museu: www.marcovirtual.com.br
Serviço
Projeto Ver No Museu – Centenário da Imigração
Japonesa –
26 /07 (sábado):
- Imperador Tomate Ketchup
1971 – P&B – 27 minutos – Censura
18 anos – DVD
- A grade (ORI)
1964 – P&B – 11 minutos – Censura
18 anos – DVD
- Um filme de sombras: a mulher de duas cabeças
1977 – P&B – 15 minutos – Censura
18 anos – DVD
27/07 (domingo):
- Jogue seus livros fora e vagabundeie pelas ruas
1971 – Cores – 138 minutos – Censura
18 anos - DVD
Debates
Dias: 26 e 27/07 (Sábado e Domingo)
Horário: 15h
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