Museu
de Arte Contemporânea abre quarta temporada de exposições
O Museu de
Arte Contemporânea inaugura na próxima terça-feira
(2/12), às 19h30, sua última temporada
de exposições de 2008, com “Diálogos
Gravados" de Arlete Santarosa e Lana Lanna (Conexão
Dual), Pequenos Oratórios de ‘Coisas Desúteis’,
de Miska e "Um Ponto, Dois Pontos", de Jú Maria
e Dois ao Avesso.
“Diálogos Gravados” traz xilogravuras
e gravuras em metal das artistas Arlete Santarosa e Lana
Lanna, do Conexão Dual. A exposição
vem percorrendo o país e o interior do Rio Grande
do Sul desde 2007. O conjunto das obras é uma
seqüência de xilogravuras e gravura em metal
intercaladas e diferentes. Desenvolvido em módulos,
de maneira progressiva, o processo exigiu uma troca permanente,
onde cada artista elaborou sua imagem tendo como base
e ponto de partida o que foi feito pela outra. A investigação
do conceito da individualidade, das diferentes maneiras
de ver e sentir o mundo e lidar com uma mesma idéia
se tornou fonte permanente de pesquisa e de documentação.
Arlete Santarosa, nascida em Bento Gonçalves
(RS), integrou por várias vezes a direção
do Núcleo de Gravura do Rio Grande do Sul. Integrou
o Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul como
representante eleita do segmento de Artes Visuais, para
os períodos 2004/05 e 2006/07. Foi conselheira,
ainda, de 2003 a 2006, do Museu de Arte Contemporânea
do RS. Lana Lanna, nascida em Carazinho (RS), estudou
desenho e aquarela na Colorado State University (EUA),
em 1977. Freqüentou o Atelier Livre da Prefeitura
Municipal de Porto Alegre entre 1982 e 1995, onde participou
de oficinas sobre gravura em metal com Sheila Goloborotko,
Marco Buti e Cláudio Mubarac. Estudou gravura
em metal e xilogravura com Armando Almeida, desenho com
Plínio Bernhart, Mara Caruso e Aniko Herskovitcz.
Na Fundação Iberê Camargo participou
de oficinas sobre gravura em metal com Ana Letícia
e Evandro Jardim. Na Gráfica Contemporanea em
Buenos Aires estudou gravura em metal com Matilde Marin
e com Torben Bo Halbriek. Estudou pintura com Regina
Ohlweiller.

“Um Ponto, dois pontos” traz trabalhos dos
artistas Jú Maria e Dois ao Avesso. Nesta primeira
exposição, os trabalhos apresentados, desenvolvidos
em 2008, mesclam técnicas diversas sob suportes
variados, como na escultura, por exemplo, onde a técnica
utilizada é uma variação de formas
de forração em tapeçaria, ou na
impressão de formas baseadas em fotografias tomográficas.
São dezoito trabalhos onde estas formas dialogam
intrinsecamente.
Dois ao Avesso é o nome que caracteriza a produção
de um casal de artistas plásticos que desenvolvem
trabalhos particulares, lado a lado, há sete anos.
Este relacionamento proporcionou constantes diálogos
entre estas diferentes produções e hoje
fica difícil distinguir o que é particularidade
ou influência. "Escolhemos nos apresentar por ‘dois
ao avesso’ como uma aceitação do
nosso estado líquido. Não percebemos fronteiras
entre nós. Mesmo ainda preservando algumas particularidades,
quando reconhecemos a necessidade individual presente
nas propostas, assumir o rosto fake de "Dois ao Avesso" é declarar
um não limite entre nossas produções
- nos influenciamos mutuamente até o dilaceramento,
e nos reconstruímos em uma nova proposta. O nome
vem disso. Estar dois e sempre ao avesso. Nesta exposição
colocamos a disposição o início
de trabalhos que estão se desenvolvendo para ambos...
diluídos e ao avesso".
A forma como foi elaborada é um dos diferenciais
da proposta. Suas etapas estão sendo constantemente
atualizadas em um blog na Internet (www.doisaoavesso.blogspot.com),
onde são apresentados desde referências
até artigos científicos escritos pelos
artistas e que somam na construção deste
trabalho.
Ju Maria é uma artista que desvela de sua própria
experiência um jogo que traz a criação
instalativa, explorando em formas sinestésicas
uma atmosfera originada de uma busca memorialista. A
proposta se destaca na riqueza de elementos e das particularidades
na sua recepção. É onde a memória
da artista está diluída para um novo entendimento.

Em “Pequenos Oratórios de Coisas desúteis”,
Miska sugere ao observador novas relações
com as pequenas coisas e sua importância no acúmulo
do cotidiano, dialogando com a memória, a lembrança
e a afetividade. “Até meados dos anos 1990,
Miska trabalhou insistentemente a temática dos
povos indígenas, a beleza de seus corpos e elementos
de sua cultura, utilizando como técnicas o pastel
seco sobre papel e acrílica sobre tela. A partir
daí, começa a série de trabalhos
com mandalas. É possível estabelecer uma
relação seqüencial entre as mandalas
e as caixas atuais. A repetição dos elementos
desenhados nas mandalas passa, a partir de um determinado
momento, a exigir a colagem, numa tentativa básica
dessa técnica: a materialização
da forma no espaço pictórico. Das mandalas às
caixas, Miska vai aprimorando a seleção
dos objetos, suas relações internas e disposição,
ordenando seqüências de acordo com a narrativa
que aí permanece em estrutura. Cada espaço
das vitrines de Miska é um ir contra a corrente
do dia-a-dia na recolha das pequenas coisas, do descarte
do desimportante, e, principalmente, do guardar à toa
que de tanto se repetir cria um sistema de arquivamento.
Daí a utilização de caixas de tipógrafo,
cuja organização permite as composições
mais variadas. Vitrines diminutas de brinquedos, de perfumes
que despertam a memória involuntariamente, de
sapatos de meninas e bonecas, de brinquedos, de espelhos
femininos, de afetos pressentidos, vividos e desaparecidos”,
escreveu sobre a exposição Maria Adélia
Menegazzo, professora da Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul e membro da Associação Brasileira
de Críticos de Arte de MS.
Miska é artista plástica, cantora e atua
nas áreas de Produção Cultural,
Rádio e Televisão. Formada em Comunicação
Visual pela PUC / RJ, trabalhou com publicidade e programação
visual (no RJ e em CG), e, durante dez anos na Fundação
de Cultura de Mato Grosso do Sul, nas áreas de
teatro, artes plásticas, programação
visual, difusão cultural, entre outros setores,
inclusive coordenando as Oficinas de Arte do Ateliê Livre
do Marco e do Centro Cultural. Ministrou cursos, workshops
e palestras sobre artes visuais, música, cultura,
comunicação visual e arte educação
para alunos de todas as idades, professores, coordenadores,
diretores de escolas e arte-educadores em vários
municípios de MS. Como artista plástica
já experimentou várias técnicas,
como gravura em metal, xilogravura, papel artesanal,
papel machê e atualmente dedica-se mais à pintura,
desenho e colagem, fazendo reciclagem de materiais. Participa
de exposições desde 1974, com mais de 200
participações em coletivas e mais de 25
exposições individuais, no Brasil e no
exterior: Rússia, Suécia, Paraguai, Bolívia.

A temporada está aberta à visitação
até o 1º de março de 2009. O Museu
de Arte Contemporânea é uma unidade da Fundação
de Cultura de Mato Grosso do Sul localizada na rua Antônio
Maria Coelho, 6000, no Parque das Nações
Indígenas. O museu fica aberto ao público
de terça a sexta-feira das 12h às 18h.
Sábado, Domingo e feriado das 14h às 18h.
Telefone: 3326-7449.
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